Era bem cedo quando acordei, ainda meio atordoado do vinho da noite, já o meu tio estava na mesa com pequeno almoço à frente. Aprecei-me a vestir qualquer coisa e dirigi-me para a cozinha.
- Bom dia! - disse o meu tio mal eu entrei pela porta da cozinha.
- Bom dia, preciso de beber água. - disse com cara de zombie.
- Malta da cidade não está habituada a estes jantares, como mas aqui qualquer coisa, a ver se arribas - disse o meu tio com rir meio de gozo.
- Preciso é de um café e bem forte. - disse eu.
Após o pequeno almoço tomado, fomos então na direcção da carrinha para iniciar-mos então para o monte, mas sem antes claro fazer paragem na tasca para beber o café que me ia salvar o dia.
Entramos então na Tasca da Dona Mariana, continuava igual às minhas memórias de infância na aldeia, mesmo alguns calendários que estava nas paredes era o mesmo. Eram oito da manhã já alguns velhotes estavam ao balcão, uns bebendo o seu café acompanhado com um bagacito, ou mesmo um copito dos pequenos para começar bem o dia e claro está discutindo logo as notícias da terra e do resto do país, não existe melhor sítio para saber as novidades.
Com o café tomado, lá se arrancamos a caminho do monte, este que ainda ficava um pouco longe da vila. Mais uma vez os pensamentos que me assolaram na noite anterior, vieram-me à cabeça, mas procurei afastá-los tinha de me manter fiel ao meu objectivo, além do mais este iam-me afastar das bonitas paisagens que o Alentejo tem pela manhã.
Assim meio distraído chegamos a uma estrada de terra batida a qual iria nos levar ao monte. Ali o meu tio encontrou um conhecido, onde prontamente parou a carrinha se desceu e meteu numa conversa animada. Eu por outro lado mais uma vez contemplei a magnifica paisagem.
Não pude deixar de pensar que estranho acordar que estava a ter, longe da confusão da grande cidade, do caos organizado das rotinas matinais, onde tudo é feito a correr. Um verdadeiro formigueiro, onde cada pessoa tem a sua função. Quantas pessoas davam para estar a contemplar esta paisagem, para acordar e não ouvir o barulho do transito, para simplesmente ouvir o cantar dos pássaros, respirar o ar puro.
Embora isto me tivesse a agradar não pude deixar de pensar se me iria habituar a este ambiente que me agora rodeava.
Será que a vida da cidade estava demasiado embrenhada no meu ser que me iria fazer desistir do meu objectivo?
O meu tio chama-me para seguirmos para o monte, tirando-me da espécie de transe em que me encontrava.
- Prepara-te que isto agora vai mandar saltos. - Diz-me ele.
- Vamos em frente! - Digo eu com sorriso na cara.
Coragem
-
Desenho de um sonho no final de adolescência,
momento em que a "batalha" de abraçar este *Le Mal de Vivre*
foi, finalment...
Há 12 anos
